terça-feira, 27 de julho de 2010

Memória pós duas danças

Dois pra lá, dois pra cá
Parecia até cena de filme
Ele galante, como sempre
Eu de vestido
A sala à meia luz, amarela como de praxe
E começou o bolero a dois

Conversamos com o corpo
Naquela dança
Entendi que o sentimento que havia entre nós era música
Que o suor era proporcional ao nosso envolvimento, e como suamos.
Rimos sem som, sorrimos com os olhos e ele me girou como nunca.
Fiquei tonta, mas não deixei transparecer... Nããoo, me mantive firme
Com os olhos fitos no meu objetivo, senão caía.
E continuei a efêmera dança.
Dancei como se fosse meu último suspiro...
Como se não houvesse amanhã e o depois fosse naquele momento.
E era.
Saí de lá e fui atropelada, coincidentemente um carro estava dançando na pista e eu dancei.
Pouco me importo. É mesmo o que mais gosto de fazer. Agora, danço nas nuvens.
Que mágico. Lembro-me de nosso último passo.
Despeço-me, pois, minha música está chegando ao fim.
E a saída é triunfal, inesquecível como quando pegou na minha mão e eu o concedi a minha derradeira dança.

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